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24/03/2009

PCB-PPS completa 87 anos de história







Foto:
PCB-PPS completa 87 anos de história
Roberto Freire discursa durante campanha presidencial de 89.


Por: Assessoria do PPS

O Partido Popular Socialista (PPS) comemora, nesta quarta-feira, 87 anos de lutas pelo Brasil. É, sem dúvida, a força política mais resistente na história do país. Nascido no dia 25 de março de 1922, em Niterói, como PC-SBIC (Partido Comunista, Seção Brasileira da Internacional Comunista), mudou seu nome para PPS em seu X Congresso, em São Paulo, no dia 26 de janeiro de 1992. Legenda reconhecida por sua combatividade, atravessou a história política do país sempre lutando pelo direito dos trabalhadores e levantando a bandeira da justiça social. Foi perseguida duramente por isso. Militantes foram presos, torturados e assassinados por ditaduras. Na maior parte de sua história, teve que atuar na clandestinidade.

Nesse período, teve seu principal líder, Luiz Carlos Prestes, duramente perseguido por diversos governos autoritários. O Cavaleiro da Esperança passou anos na cadeia, mas nunca deixou de participar ativamente da vida política brasileira, comandando, mesmo do cárcere, a atuação do partido junto a movimentos populares. No decorrer da história, o PCB teve papel destacado nos principais acontecimentos políticos do país. (Confira mais sobre esse período)

Na década de 80, com a retomada da democracia no Brasil e a consequente legalização da legenda, o processo de renovação interna do partido ganha força. A queda do muro de Berlim, em 1989, e a derrocada do "socialismo real" no Leste europeu reforçam essa necessidade. Nesse período, o ainda PCB lançou pela primeira vez candidato próprio a presidente da República, nas primeiras eleições diretas após o fim da ditadura militar. Roberto Freire, presidente do partido, percorreu o país numa campanha histórica para os comunistas.

Em 1992 a mudança se concretiza. Freire, então presidente do PCB, convoca o X Congresso que altera o nome e a sigla de Partido Comunista Brasileiro - PCB para Partido Popular Socialista - PPS (leia o Manifesto de Fundação do PPS). O PCB se torna então o primeiro PC no continente a mudar radicalmente sua política, sua estrutura orgânica e sua simbologia.

De lá para cá, o PPS lançou mais duas vezes candidato próprio a presidente da República. O ex-governador do Ceará e atual deputado Ciro Gomes, que deixou a legenda em 2005, concorreu como candidato a presidente pelo PPS em 1998 e 2002. Em 2006, o partido apoiou a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). Para 2010, o meta do PPS já está definida: integrar o bloco de oposição junto com PSDB e DEM e outras forças democráticas para enfrentar o candidato apoiado pelo presidente Lula e conquistar a Presidência da República.


Políticos de vários matizes saúdam PCB-PPS

O lançamento do XVI Congresso do PPS abriu a comemoração dos 87 anos do PCB-PPS em um encontro que reuniu, na Câmara dos Deputados, importantes políticos da República de variados matizes (leia mais), o que demonstra a indelével marca do Partido Comunista Brasileiro na história do país. A legenda atraiu militantes, simpatizantes e opositores, mas nenhum daqueles que dela se aproximou ficou indiferente. O respeito das forças políticas e da sociedade é uma herança que o PCB pode se orgulhar de carregar junto com sua história de lutas.

"Quando vejo a origem do PPS, que vem do Partido Comunista do Brasil (PCB), encontro nela uma grande dose ideológica e programática, que é uma coisa importante para a concepção de partido político", disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), ao falar sobre os partidos políticos como expressão de "parcelas da opinião pública querem administrar a pólis".

Resistência


Já o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ) lembrou que o pai, ex-prefeito do Rio César Maia, foi militante do Partidão. "Pela minha pouca idade, não participei das lutas pela redemocratização, mas nasci por causa da resistência", contou. É que seu pai foi exilado político no Chile e casou-se com uma chilena. Cesar Maia foi militante da juventude do PCB quando estudava engenharia em Minas Gerais. "Desde criança aprendi a respeitar a política, acompanhar e admirar o Partido Comunista Brasileiro, tão importante na vida do país".

O PCB fez parte da história de muita gente, disse o presidente nacional do PPS, ex-senador Roberto Freire. "Uma coisa que é muito presente é que quem militou no PCB tem o partido gravado na sua história e, com muito orgulho, se refere a esse seu período de militância como algo importante em sua vida", salientou. Ser comunista no Brasil, disse, significava ser um lutador pela liberdade porque os "comunistas eram as primeiras vítimas quando ela faltava a todos os brasileiros". Isso não era algo corriqueiro, observou. Quem participou da história do PCB, afirmou Freire, "sabe que participou de um momento de dignidade na vida política brasileira".

Reformismo

Freire informou que o PPS reuniu-se, no último fim de semana, em São Paulo, com o historiador e presidente do Instituto Antonio Gramsci, Giuseppe Vacca, para discutir o novo reformismo. O termo, salientou, é usado "sempre, por todos, mas pouco efetivado". O ex-senador lembrou os tempos em que o rótulo de reformista, "inclusive no sentido pejorativo" perseguia o PCB – como continua a perseguir o PPS.

"Outros grupos de esquerda chamavam a nós, do antigo PCB, de reformistas porque nós não enveredamos por políticas aventureiras na luta contra a ditadura", rememorou. O partido optou por um combate junto com o povo brasileiro, afirmou, "não de vanguardas que se imaginavam dando exemplo e atraindo, com isso, a ação política do povo, da cidadania; fomos juntos com a cidadania e construímos a alternativa que derrotou o regime militar, cerrando fileiras com outros democratas, outros liberais". Por ter adotado essa posição, diz Freire, o PCB era chamado reformista.

O presidente do PPS, que em 1989 foi candidato a presidente da República, disse que o PCB assumiu essa posição, "não no sentido pejorativo, mas no sentido afirmativo, da reforma a partir da compreensão da questão democrática". Essa posição, insiste Freire, é que leva o PPS à discussão do novo reformismo, como a reforma do Estado brasileiro, medida imprescindível para enfrentar o mundo do futuro, avalia.

"O PPS está aberto a esse debate com a mesma coragem que teve ao indicar caminhos que não eram os mesmos que uma esquerda que parecia mais arrojada apontava, mas foram os que ajudaram a conquistar a liberdade junto com o povo brasileiro", afirmou Roberto Freire. Para ele, é preciso um novo Estado para enfrentar o novo mundo.





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