Por: Luís Zanini
O vice-líder do PPS na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), criticou, nesta quarta-feira, o discurso do presidente Lula em defesa da substituição da desoneração de impostos de produtos industriais pela transferência de dinheiro aos pobres. "É a mesma visão assistencialista que orienta os programas sociais do governo federal", atacou o deputado, que considera a declaração um "agrado momentâneo aos mais pobres".
Para Jardim, o posicionamento de Lula revela que ele não tem "visão estruturada" para induzir o aquecimento da economia, que está em recessão técnica, e o crescimento sustentável. De acordo com o próprio governo, as desonerações de impostos para produtos como automóveis, máquinas e eletrodoméstico desde o início da crise já somam R$ 100 bilhões.
"A virtude do governo na gestão econômica deve ser sempre a austeridade fiscal para possibilitar o crescimento econômico, que se encontra limitado pelas características do atual modelo", disse Jardim. Segundo ele, o governo está na contramão do equilíbrio fiscal por ter abandonado o rigor tributário em troca de desoneração de impostos e aumento dos gastos com a máquina pública.
Na avaliação de Jardim, o governo deveria adotar uma "política desenvolvimentista" e ter "seletividade nos gastos públicos" para alavancar os investimentos. "Isso cria um círculo virtuoso que emprega, gera atividade econômica e faz crescer os recursos para o desenvolvimento do país. É uma proposta bem diferente dos programas assistencialistas que [como o Bolsa-Família] não tem porta de saída para os que são assistidos", comparou.